

DIGA AO POVO QUE FICO!
Subiu correndo a ladeira de barro, como um bicho acuado e treinado, pulando mais que correndo.
Foi largando as havaianas pelo caminho; o maço de cigarros ficou lá caído, deitado no barro, defunto de fumo.
Tropeçou pelas latas de e do lixo, esbarrou em velhas e estatelo-se em tetas de moças, mão à frente, arma em punho, baixada na lateral do corpo, prejudicando o correr, mas segura com a força de uma vida.
Foi largando as havaianas pelo caminho; o maço de cigarros ficou lá caído, deitado no barro, defunto de fumo.
Tropeçou pelas latas de e do lixo, esbarrou em velhas e estatelo-se em tetas de moças, mão à frente, arma em punho, baixada na lateral do corpo, prejudicando o correr, mas segura com a força de uma vida.
Entrou pelo barraco de tabuas furadas; cupim e tiros; saltou por sobre a TV ligada no discurso da Dilma, meteu o pé na porta do quarto, cama de colchão fino, jogado em papelão no chão, abriu a caixa do tênis Nike, achado no lixo e tirou de lá os rojões “três tiros”. Voou para fora, acendeu o primeiro e esperou o esporro.
Pam, pam, pam, pipocaram no céu os fogos, acendeu mais um, mais outro, mais outro. Sem comemoração, sem gol de time, sem passagem de ano novo, ou fim de festa de casamento de bicheiro.
Quatro! Alerta vermelho, corrida de vida, invasão de território, policia na área.
No primeiro alerta, as coisas pararam, ate o respirar fez-se miúdo; no segundo cadeiras voaram, corpos tesos, pés em pé. Terceiro, armas e pacotes em mãos e nas mãos ocultos no culto, nas camas, nas coxas. Quarto alerta; mal apaga o fogo no céu e como num triangulo de bermudas, some-se o povo, o tiro, o fogo, o morro.
Lá em baixo, abrigado por uma banca de jornal falida, um repórter da "bobo", anuncia a vitória ganha, bastilha caída. Solução alcançada.
Engana o povo alheio, estrangeiro em pleno seio da terra natal, estranho ao meio pátrio.
Apagado as luzes, guardadas as câmeras, retirado obuses, o morro volta ao samba, pagode, carnaval. Impune e livre como quer ser.
Dinheiro ganho, pão garantido, foguetes repostos, a postos, soldado do trafico, diga ao povo que eu fico!
Pam, pam, pam, pipocaram no céu os fogos, acendeu mais um, mais outro, mais outro. Sem comemoração, sem gol de time, sem passagem de ano novo, ou fim de festa de casamento de bicheiro.
Quatro! Alerta vermelho, corrida de vida, invasão de território, policia na área.
No primeiro alerta, as coisas pararam, ate o respirar fez-se miúdo; no segundo cadeiras voaram, corpos tesos, pés em pé. Terceiro, armas e pacotes em mãos e nas mãos ocultos no culto, nas camas, nas coxas. Quarto alerta; mal apaga o fogo no céu e como num triangulo de bermudas, some-se o povo, o tiro, o fogo, o morro.
Lá em baixo, abrigado por uma banca de jornal falida, um repórter da "bobo", anuncia a vitória ganha, bastilha caída. Solução alcançada.
Engana o povo alheio, estrangeiro em pleno seio da terra natal, estranho ao meio pátrio.
Apagado as luzes, guardadas as câmeras, retirado obuses, o morro volta ao samba, pagode, carnaval. Impune e livre como quer ser.
Dinheiro ganho, pão garantido, foguetes repostos, a postos, soldado do trafico, diga ao povo que eu fico!

9 comentários:
Virei cá novamente espreitar este canto cheio de poesia transmitida poelas palavras e pelas imagens fantásticas que se podem admirar neste espaço. Os meus sinceros parabéns;)
Ah, e velhos são os trapos:)
Belas fotografias...Belas palavras...Espectacular....
Um abraço
Muito bom o texto. As fotos não consegui abrir.
Abraços.
Preciosas fotografías, estupendo texto.
Enhorabuena por tu buen trabajo.
Saludos.
Ramón
Oba! Agora consegui ver as fotos.São lindas.
Um abraço.
Que fotos lindas :D
Que lindíssimas corujas-das-torres, caro Magro Costa. Como eu gostava que essas fotos fossem minhas. Quando eu for ao Brasil, tem que me dar algumas dicas.
Parabéns também pelo texto, sempre excelentemente escrito num estilo muito próprio.
Gostei de tudo.
Abraço.
Excelentes fotos, Magro! Parabéns.
Eheehehehh, um bocado feios.:)
Postar um comentário