GARÇA BRANCA
(Egretta alba)



DOCE DE LEITE
    Dentro do tacho; sobre o fogão a lenha, o doce formava pequeninas erupções, imitando na superfície, pequeninos vulcões de lava doce.
   O cheiro de doce de leite invadia as narinas de quem quer que chegasse próximo cozinha.
   No canto oposto a ele, junto a pia, estava Lucia, quietinha lavando a vasilha de onde havia tirado o leite.
   Ele passou pela porta aberta, como já havia feito uma infinidade de vezes, indo em direção ao quintal; tinha enfim decidido acabar a reforma do paiol nos fundos da casa.
   Foi nesse passar, que o cheiro, deu de testa com ele. Ele segurou um pouco os passos, e respirou mais fundo, como querendo provar aquela delicia mais uma vez. Voltou um pouco, enfiou a cabeça pela porta e não se contendo, perguntou:

   - Ta fazendo doce de leite, Lucia?
   Ela virou rápida, como que meio assustada, seus grandes olhos negros, destacavam-se do rosto claro, seu cabelo escuro, jogado despreocupadamente por sobre os ombros, com a vira de corpo, vieram fazer companhia ao inicio do colo, junto ao decote do vestido de chita floria.

   - Estou sim, por que?
   Por um momento, ele esqueceu do doce. Por um breve momento, que pareceu durar um ano, ele notou algo que fazia tempo que ele não notava.
   Ela continuava linda, reparou que o decote estava maior que o normal, devido à petulância de um botão que havia resolvido saltar da casa, fazendo com isso que ele abrisse um pouco mais. Aliado a isso, o fato do vestido estar unido, devido aos vários respingos da pia, fazia que a silhueta dos belos seios fosse mais revelada ainda.

   - Por nada não, estou só perguntando.
   Notou as pernas, suas coxas, continuavam firmes e bem feitas, morenas claras, apareciam por baixo da barra do curto vestido. Sua anca larga e arredondada marcava em vincos a chita floria.

   - Já esta quase pronto, falta pouco.
   Aquela boca...

   - Me dá um pouquinho?
   Quente...Melhor ainda, aquilo tudo, daquele jeito e ainda quentinho...

   - Poxa, me da só um pouquinho, vai.
   - Mas não dá pra esperar?

   - Não! Agora!
   Ela foi ate a beirada do fogão, com um pratinho na mão. Sem notar, mas balançando aquela anca, de um modo incrível. Serviu uma concha do doce pelando, e voltou pra onde ele estava.

   - Tome pode comer, cuidado que esta muito quente.
   - Doce? Mas quem diabos quer doce agora?

4 comentários:

Fábio Martins disse...

É uma foto bonita com o perfil dessa ave. E é também extraordinária a forma como ela posiciona o pescoço todo curvado, até dá um pouco de impressão só de ver uns segundos :-)

A imagem só peca na claridade da ave. Ficou a apanhar um bocado de sombra pelo que o uso do flash, talvez, tivesse proporcionado uma melhor luz.

1 abc

Magro Costa disse...

Opa Fábio, obrigado pelo comentário.
Realmente a foto ficou um tanto quanto sub mesmo; mas o flash ai não adiantaria muito, essa garça estava a uns 30 metros de mim.

Abraços.

anrafera disse...

Muy buena captura, me encanta esta fotografía.
Un cordial saludo.
Ramón

Luiz Laercio disse...

Muito lindo o teu blog! Gostei!

Postar um comentário